O filme que me ensinou a virar o jogo
Semana passada fui ao cinema com minha esposa assistir O Diabo Veste Prada 2. E durante o filme, uma memória voltou com força: uma das fases mais desafiadoras da minha vida profissional e a lição que ela me deixou.
Essa história tem tudo a ver com adaptação, execução e inteligência emocional. E eu nunca a contei com esse nível de detalhe.
2011: peixe completamente fora da água
A empresa onde eu trabalhava tinha acabado de se fundir com outra. Eu, que sou um cara informal, da bermuda e camiseta preta no dia a dia, de repente me vi num ambiente completamente diferente: calça, camisa, sapato, reunião formal, muita politicagem e mais cacique do que índio.
Nos primeiros dias me senti um peixe completamente fora da água. Pressionado, perdido, sem função muito definida. Pensei muito em sair.
Foi nesse momento que, coincidentemente, assisti o primeiro Diabo Veste Prada.
A lição da Anne Hathaway
Para quem não lembra, a personagem da Anne Hathaway vai trabalhar na maior revista de moda do mundo sendo completamente desencanada com aparência. É rejeitada, humilhada e colocada à prova desde o primeiro dia.
Em vez de desistir, ela toma uma decisão que muda tudo: incorpora o personagem. Mergulha no ambiente, aprende as regras, se adapta ao game. E cresce muito.
Me identifiquei completamente com ela.
O que eu fiz na prática
Tomei a mesma decisão. Refiz o guarda-roupa. Aprendi a me comunicar naquele ambiente. Estudei o contexto. Me joguei mesmo sem ter todo o conhecimento técnico que aquela posição exigia.
Atendíamos um dos melhores hospitais do Brasil, redes de supermercados, shoppings. Era um nível de operação que eu nunca tinha gerenciado antes. Mas eu entendi que o jogo não era sobre saber tudo. Era sobre se adaptar rápido e executar com o que tinha.
O resultado
Aquele monte de cacique foi saindo. E no final eu estava com 86 colaboradores sob minha gestão.
A fusão se desfez, mas eu tinha cumprido um papel importante e saí com uma grande experiência e com a sensação de dever cumprido. Uma passagem que considero de muito sucesso e que guardo com muito carinho.
A lição que fica
Tem momentos na vida em que você precisa se adaptar ao ambiente sem perder quem você é. Não é falsidade. É inteligência, a padrão e a emocional. É saber jogar o jogo pelo tempo necessário, sem deixar o jogo te engolir.
O ambiente sempre muda. Quem sabe se adaptar, cresce. Quem insiste em ser o mesmo peixe no aquário errado, não sai do lugar.
Essa capacidade de se mover com inteligência, independente do ambiente, é exatamente o que o Método 5C desenvolve. Não se trata de força de vontade ou de trabalhar mais. Se trata de ter clareza, critérios e sistemas que te permitem executar bem em qualquer contexto.
Perguntas frequentes
O que é inteligência emocional no contexto profissional?
É a capacidade de reconhecer e gerenciar as próprias emoções e as dos outros pra tomar decisões mais eficazes, especialmente em situações de pressão ou mudança. No contexto profissional, se manifesta na capacidade de se adaptar a novos ambientes, lidar com conflitos e manter o foco mesmo diante da incerteza.
Como se adaptar a um novo ambiente de trabalho sem perder a autenticidade?
O segredo está em distinguir o que é essencial em você (seus valores, sua forma de pensar, seus princípios) do que é superficial (roupas, estilo de comunicação, vocabulário). Você pode adaptar a forma sem mudar o fundo. Incorporar o “personagem” do ambiente não significa abrir mão de quem você é, significa falar a língua do lugar onde você está.
O que fazer quando você se sente perdido numa nova função ou empresa?
Primeiro, reconheça que a sensação de estar fora do lugar é normal e temporária. Segundo, observe antes de agir: entenda as regras do jogo antes de tentar mudá-las. Terceiro, execute com o que você tem, sem esperar ter tudo. Quem age aprende mais rápido do que quem espera estar pronto.
Como O Diabo Veste Prada se relaciona com desenvolvimento pessoal?
O filme mostra de forma clara a jornada de alguém que entra num ambiente hostil e desconhecido e, em vez de desistir, escolhe se adaptar e crescer. É uma representação de como a zona de desconforto, quando enfrentada com intenção, se torna escola. A personagem da Anne Hathaway não perde sua identidade: ela expande sua capacidade de operar em mundos diferentes.
Sobre o autor
Henri Kubota é fundador da Ruok Digital, criador do Método 5C, Formação de Executores, engenheiro mecatrônico, maratonista e pai de três. Escreve sobre execução, mentalidade e adaptação em Home – Tech Blogger .

